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Consórcio Cruzeiro do Sul tenta restringir opinião dentro do GEM-Mauá

Data:21 julho 2010

 

Consórcio Cruzeiro  do Sul tenta restringir opinião dentro do GEM-Mauá

Marcelo Frazão

Sem limites, o Consórcio Cruzeiro do Sul (Copel + Eletrosul) propôs, durante a reunião do Grupo de Estudos da Usina Mauá (GEM) de 14 de julho, aprovar uma cláusula que proibiria participantes das discussões de divulgar assuntos debatidos internamente “sem aprovação”.

O GEM foi proposto pela sociedade civil e Ministério Público Federal, diante do fato de que o Consórcio Cruzeiro do Sul, dono do “ousado” empreendimento da Usina Hidrelétrica de Mauá (UHE) no Rio Tibagi, é alvo de questionamentos técnicos e ambientais desde que o “projeto” saiu do papel.

A íntegra da proposta do Consórcio dizia que “os assuntos tratados no âmbito do GEM-Mauá somente podem ser objetos de divulgação após aprovação da assembléia sob pena de exclusão da entidade que descumprir tal premissa”.

Atualmente, a UHE Mauá está em plena construção, apesar das fraudes grosseiras que começaram no licenciamento, envolto em suspeitas de corrupção, sempre contra as leis, o bom senso, o ambiente e o dinheiro público. O gigante de concreto, que aos poucos mata o corrente Rio Tibagi para formar um lago morto de mais de 80 km2 de água parada, vai passar de de R$ 1 bilhão em custos mensuráveis. A destruição da área é considerada por cientistas da UEL estudiosos do Tibagi há mais de 20 anos como um lamentável e evitável desastre ambiental.

“O GEM é mais uma das dezenas de tentativas de fazer valer leis ambientais e direitos de indígenas e ribeirinhos que foram desrespeitados desde que se imaginou o empreendimento”, afirma Marcelo Arasaki, biólogo da Ong MAE participante das discussões. Em 2009, o biólogo acompanhou expedições de coleta de água na área onde estão minas de carvão abandonadas às margens do TIbagi, com metais pesados vertendo até hoje para dentro do rio. Com o represamento do rio e formação do lago, as minas serão totalmente inundadas, com riscos potenciais para a qualidade da água captada em Londrina, 120 kms da UHE Mauá.

A proposta do Consórcio para silenciar as críticas tentando que informações apenas fossem divulgadas “após aprovação” foi rechaçada no ato pelo advogado Rafael Fillipin, integrante da Ong Liga Ambiental, também membro do GEM.  Fillipin qualificou a proposta como “censura à opinião pública” e pediu a exclusão. O procurador do Ministério Público Federal João Akira Omoto afirmou que “qualquer opinião expressa pode ser publicada com responsabilidade daquele que se expressou”. Ao fim, a proposta foi excluída, temporariamente.

Durante a reunião foram aprovados o Regimento Interno do GEM-Mauá e a indicação de nomes para compor o Conselho Gestor do grupo por parte da sociedade civil.   As entidades (Liga Ambiental, Ong MAE, Apomel, EcoMauá, Comissão Pastoral da Terra, Movimento Atingidos por Barragens, entre outras) decidiram oficializar representantes do MAB para titular e suplente. As vagas no GEM serão preenchidas pelas entidades em sistema de rodízio, com mudança dos indicados a cada ano. A próxima reunião do GEM será em 15 de setembro, 14h, no Clube Recreativo Ortigueirense, em Ortigueira.

 

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