Londrina fecha primeiro ciclo de recuperação de matas ciliares e reservas com adesão de produtores do Três Bocas - ONG MAE - Meio Ambiente Equilibrado - Londrina - PR

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Londrina fecha primeiro ciclo de recuperação de matas ciliares e reservas com adesão de produtores do Três Bocas

Data:7 maio 2010

 

 

Na foto: Daniel Delatin e Camillo Viana, da MAE, conversam com Dona Ivone, proprietária rual e parceira da Organização

Marcelo Frazão

Murilo Pajola

Londrina - Com 25 agricultores do Patrimônio Três Bocas cadastrados no Programa de Recuperação de Mata Ciliares e Reservas Legais de Londrina, a Ong MAE passa, agora, a planejar novas etapas do trabalho de regularização ambiental de propriedades rurais. No dia 04 de maio, uma reunião na igreja de São Sebastião, no Patrimônio Três Bocas, marcou a etapa da formação de grupos interessados em recompor áreas de preservação permanente.

Desde julho do ano passado, técnicos de campo da Ong, com a adesão dos pequenos produtores, estudam propriedades até 150 hectares ligados à agricultura familiar e avaliam as Áreas de Preservação Permanente (APP) às margens de rios, nascentes e que devem compor a Reserva Legal.

Com o auxílio de imagens de satélite, a Ong auxilia na elaboração de mapas e croquis das áreas e produz um Plano de Manejo Florestal (PMF), documento que traz um completo levantamento do local, identifica espécies nativas e exóticas já existentes, analisa a qualidade do ambiente, do estado do solo e detecta os principais problemas. O PMF é um guia para a recuperação da área de acordo com as leis ambientais.

O projeto está em andamento desde julho do ano passado. Até o momento, oito produtores reflorestam as APPs e outros quatro estão com a terra preparada para receber as mudas nativas do Projeto.  

“Nunca imaginamos que iríamos encontrar uma receptividade tão grande como a que vocês ofereceram para a gente”, disse Eduardo Panachão, presidente da Ong MAE, durante a reunião com os produtores participantes. E o sentimento de gratidão é recíproco. Dona Ivone e o marido José Grassi tem uma propriedade de 5 alqueires às margens do Ribeirão Três Bocas onde plantam cebolinha, couve, alface e diversas folhagens, vendidas em 10 grandes supermercados de Londrina.  O casal já plantou 1,2 mil árvores para recompor as APPs da propriedade. Grandes parceiros da MAE no projeto, Dona Ivone deu o testemunho aos agricultores presentes na reunião: “No começo eu fiquei meio desconfiada. Mas o pessoal da Ong é gente boa, são comprometidos. Se falam que vão nos ajudar, é porque vão fazer mesmo”.

O presidente da Ong informou os agricultores que a partir do ano que vem aqueles que estiverem totalmente adequados à legislação ambiental receberão uma remuneração mensal pelos serviços prestados ao meio ambiente – é o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). “A idéia é recompensar o agricultor que cuida dos recursos naturais da sua propriedade porque na verdade toda uma cidade depende deles. Por isso ele deve ser recompensado porque ao cuidar das matas, rios e nascentes, o produtor presta um serviço à coletividade”, ressalta o biólogo.  

Nova área

A partir da formação e continuidade do primeiro grupo de agricultores que constroem o projeto na região do Ribeirão Três Bocas, a intenção é fazer as ações do Programa se tornem um modelo para preservação das propriedades em todo o município. Participantes do encontro no Patrimônio Três Bocas, agricultores do Patrimônio Selva já se candidataram a entrar na parceria e formar novos núcleos de produtores interessados em recompor matas ciliares e reservas legais com o apoio da Ong MAE.  Segundo Daniel Delatin, cientista social da organização, “a ideia é avançar cada vez mais na formação de núcleos de produtores, até chegarmos a todos os distritos rurais de Londrina”. Na avaliação do integrante da Ong, Londrina está muito atrás na recuperação das suas matas ciliares: “Trabalhamos neste momento com pequenos produtores mas precisamos de forma urgente intervir nos grandes produtores e fazendas locais para que também se comprometam da mesma forma com que os agricultores familiares  

Dados sobre a agricultura familiar em Londrina e no Paraná

No Paraná, dos 371.051 estabelecimentos agropecuários existentes, 81,63% se enquadram na categoria agricultura familiar, ocupando 27,8% da área total dos estabelecimentos. Embora a cidade não os reconheça ou sequer saiba onde eles estão exatamente, são os responsáveis pelo abastecimento de grandes supermercados de Londrina, das feiras livres, feirões e sacolões que alimentam os londrinenses.  Eles também respondem por 43% do Valor Bruto da Produção (VBP) do Estado e, principalmente, abrigam 70% do pessoal ocupado. Os números são do IPARDES (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social) com base nos dados do Censo Agropecuário de 2006.

Parte importante da alimentação do londrinense – entre 60% a 80% dos hortifruti consumidos em Londrina são produzidos perto, muito perto da cidade.

Segundo a Secretaria Municipal de Agricultura, Londrina tem 2.477 estabelecimentos que se enquadram como de agricultura familiar, com áreas até 50 hectares que ocupam apenas 17% da área rural do município. Cerca de 500 propriedades são consideradas de grandes produtores e respondem por mais de 80% da zona rural de Londrina.

Já para o Ministério da Agricultura, dados de 2006 indicam que Londrina tem 4741 propriedades dedicadas à agricultura familiar com 47.199 hectares de área. Outras 2165 propriedades respondem por 310.680 hectares e não estariam ligados à produção familiar.

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